Dezenas de servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficaram sem receber o salário de outubro depois que o presidente do órgão, Márcio Pochmann, determinou o desconto integral, em parcela única, dos dias de greve realizados em agosto e setembro.
A medida atingiu funcionários de diferentes regiões do país, especialmente da Bahia, onde a paralisação teve maior adesão.
O sindicato da categoria tentou impedir os descontos e acionou os ministérios do Planejamento e da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Na semana anterior ao segundo turno das eleições, as pastas solicitaram à direção do IBGE a suspensão da medida. Pochmann, contudo, manteve a decisão.
O presidente do instituto também não atendeu a um ofício encaminhado pelo senador Paulo Paim (PT-RS), em agosto, nem aos pedidos da Secretaria da Presidência da República para a retomada das negociações com os servidores.
As críticas de servidores do IBGE a Pochmann
Segundo o sindicato, Pochmann nunca recebeu a atual direção da entidade, eleita em outubro de 2025 I Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias
Segundo o sindicato, Pochmann nunca recebeu a atual direção da entidade, eleita em outubro de 2025. Os representantes dos trabalhadores interpretam a postura como sinal de isolamento político do presidente do IBGE.
Durante a semana decisiva das eleições, Pochmann estava em viagem pela Ásia e retornou ao Brasil apenas em 24 de outubro.
A entidade contesta os descontos nas esferas administrativa e judicial. O sindicato sustenta que a cobrança foi irregular, pois deveria ter ocorrido depois de um acordo entre as partes, conforme as normas aplicáveis ao funcionalismo público.
Em nota, o IBGE afirmou que possui autonomia institucional e que os descontos seguiram as orientações do MGI, previstas na Instrução Normativa SRT/MGI nº 49.
O instituto também informou que comunicou oficialmente ao sindicato que as negociações seriam iniciadas depois do período de defeso eleitoral.