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Brasil

Justiça manda bloquear até R$ 3,4 bi em operação contra bets ilegais

Polícia Civil do DF cumpre 50 mandados em 6 unidades da Federação e investiga suspeitas de lavagem de dinheiro

Por | Publicado em: 05/11/2026 10:57:25 | Fonte: Revista Oeste

Justiça manda bloquear até R$ 3,4 bi em operação contra bets ilegais
Cerca de 200 policiais cumprem 50 mandados de busca e apreensão | Foto: Divulgação/ Polícia Civil do DF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação Azzardo na manhã desta quinta-feira, 5. A ação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e exploração clandestina de apostas de quota fixa. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 3,4 bilhões das bets.

Cerca de 200 policiais cumprem 50 mandados de busca e apreensão. O Distrito Federal concentra 24 ordens. As outras 26 abrangem São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. A Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) conduz a operação.

A investigação começou há cinco meses, depois de alertas da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Técnicos identificaram plataformas sem autorização federal. Em simulações, constataram que os pagamentos por Pix abasteciam contas de empresas com atividades alheias ao setor de jogos.

Segundo a apuração, a rede usava empresas fictícias para receber e distribuir dinheiro. O grupo também convertia valores em criptoativos para dificultar o rastreamento. Nos endereços cadastrados, policiais encontraram imóveis vazios, placas de aluguel e comércios sem ligação com tecnologia. Em um lote de Ceilândia, dez empresas informavam o mesmo telefone corporativo.

Fintech e empresas de fachada

Entre fevereiro e julho de 2026, os envolvidos abriram dezenas de empresas com capitais sociais idênticos em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia. Empresas em nome de laranjas e terceiros recebiam as apostas. Entre os cadastros estavam uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de artigos de tarô.

O grupo utilizava uma fintech de São Paulo, autorizada pelo Banco Central como Sociedade de Crédito Direto. A instituição recebia pagamentos dos sites e mantinha contas ligadas aos investigados, com trocas frequentes de procuradores.

Análises financeiras apontam movimentação de cerca de R$ 1 bilhão pela fintech e por empresas associadas, incluindo repasses aos investigados. Em 30 de julho, o Banco Central havia anunciado a intenção de cancelar a autorização da instituição. A ação alcançou a fintech, duas empresas do grupo e seus diretores, mas preservou recursos de clientes não investigados.

Segundo a polícia, o grupo tentou dar aparência legal às atividades com autorizações de loterias da Paraíba e do Rio de Janeiro. Nenhum site investigado tinha respaldo nessas licenças, restritas a marcas e territórios específicos.

As permissões estaduais perderam validade com o fim do prazo da Medida Provisória nº 1.394/2026, de 25 de setembro. A norma proibiu apostas sem autorização federal. A operação incluiu três empresas ligadas aos credenciamentos por vínculos societários e transações suspeitas com empresas de fachada.

Bloqueios e suspensão de empresas

O Juízo das Garantias de Sobradinho determinou o bloqueio de bens sob supervisão do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários. Também suspendeu o CNPJ e o registro comercial de 100 empresas e proibiu os alvos de abrir contas bancárias por 90 dias.

A Justiça quebrou os sigilos fiscal e bancário de 82 pessoas físicas e 83 jurídicas e autorizou o sequestro de veículos de luxo. As buscas alcançaram Faria Lima, Pinheiros e Vila Olímpia, em São Paulo, além de Goiânia, Planaltina de Goiás e Valparaíso, em Goiás.

As penas somadas dos crimes investigados variam de 11 anos e seis meses a 31 anos de prisão. Podem chegar a 33 anos nos casos de falsidade ideológica em documento público.

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