O agente, que acompanhou a rotina do petista na Superintendência da Polícia Federal no Paraná, apresenta os episódios no livro Banho de Sol.
Entre os principais alvos das críticas estavam Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux. Os três haviam sido indicados ao Supremo por Lula ou por sua sucessora, Dilma Rousseff. Naquele período, a Corte impôs derrotas ao então ex-presidente em pedidos de liberdade e decisões relacionadas à sua situação eleitoral.
Críticas de Lula a ministros indicados pelo PT
O ministro do STF Luiz Fux | Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF
Segundo Chastalo, em julho de 2018, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisava a possibilidade de Lula disputar a Presidência, o petista criticou Cármen Lúcia. Ele a chamou de “falsa humilde” e afirmou que se decepcionara com a ministra. De acordo com o livro, Lula recordou que ela teria mencionado a importância da gratidão quando buscava apoio para chegar ao STF.
Fachin também recebeu ataques. O ministro havia retirado de pauta um julgamento de habeas corpus apresentado pela defesa de Lula. Conforme o relato do policial, o presidente o chamou de “filho da p*ta” e afirmou que não confiava nele quando surgiu a possibilidade de sua indicação. A nomeação, porém, ocorreu durante o governo Dilma.
A irritação com Fux teria aumentado depois que o ministro derrubou a autorização para que a Folha de S.Paulo e o jornal espanhol El País entrevistassem Lula na prisão. O petista o chamou de “canalha” e afirmou que o magistrado frequentava cerimônias presidenciais enquanto buscava uma vaga no Supremo.
Chastalo também relata que Lula elogiava Gilmar Mendes e Celso de Mello. Na avaliação atribuída ao petista, os dois demonstravam coragem, ao contrário de outros integrantes da Corte.
Lula deixou a prisão em novembro de 2019, depois de o STF mudar o entendimento sobre a possibilidade de execução da pena antes do trânsito em julgado.