Rubio inclui Brasil na lista de 'não amigos' dos EUA
Secretário de Estado citou cenário eleitoral brasileiro ao comentar relação de Washington com países da América Latina
Por | Publicado em: 02/06/2026 15:29:27 | Fonte: Revista Oeste
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, incluiu o Brasil entre os países que representam desafios para a política externa norte-americana. A declaração ocorreu nesta terça-feira, 2, durante uma audiência no Congresso dos EUA.
Ao analisar o cenário político da América Latina, Rubio afirmou que Washington conta atualmente com uma coalizão formada por mais de uma dúzia de países considerados aliados. Em seguida, mencionou Cuba, Nicarágua, Venezuela e Brasil como exceções dentro da região.
Segundo o secretário, o Brasil atravessa um ciclo eleitoral, fator que influenciaria o atual momento da relação entre os dois países. Rubio também citou a Colômbia e classificou o governo do presidente Gustavo Petro como “problemático”.
Durante a audiência, o secretário não detalhou os critérios utilizados para incluir o Brasil no grupo de países considerados desafiadores para os interesses norte-americanos. Tampouco informou quais nações integram a coalizão de governos apontada por ele como aliada dos Estados Unidos.
Declaração ocorre em meio a divergências com o governo Lula
A fala de Rubio ocorre em meio ao aumento das divergências entre o governo de Donald Trump e a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na semana passada, os Estados Unidos anunciaram que irão classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida recebeu críticas do governo Lula.
Outro ponto de discordância envolve a área comercial. O governo Trump apresentou nesta segunda-feira, 1º, uma proposta de tarifa de 25% sobre uma lista de produtos importados do Brasil. A iniciativa foi apresentada pelo Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), depois da conclusão de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1975.
Segundo o órgão, práticas adotadas pelo governo brasileiro seriam “irrazoáveis” e estariam restringindo o comércio norte-americano. Com o encerramento da investigação, Washington abriu uma fase de consulta pública antes de decidir sobre a adoção das medidas tarifárias.