Brasil atinge R$ 2 trilhões em impostos ainda no 1º semestre
Arrecadação bate novo recorde em 2026, enquanto despesas do setor público já se aproximam de R$ 2,7 trilhões
Por | Publicado em: 28/06/2026 10:35:45 | Fonte: Revista Oeste
O Brasil ultrapassa neste sábado, 27, a marca de R$ 2 trilhões em impostos arrecadados desde o início de 2026. É a primeira vez que o Impostômetro, painel mantido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alcança esse valor ainda no primeiro semestre do ano.
Em 2025, o painel atingiu R$ 2 trilhões em 3 de julho. Em 2024, o mesmo patamar só foi alcançado em 24 de julho. Em uma comparação mais ampla, em 2015 o país chegou ao valor apenas em 9 de dezembro.
Segundo a ACSP, o avanço reflete a combinação entre crescimento da atividade econômica, inflação e ampliação da base de arrecadação. Também contribuíram mudanças tributárias implementadas nos últimos anos, como a tributação de fundos exclusivos e offshores, a retomada da cobrança sobre combustíveis, a reoneração da folha de pagamentos, o aumento do IOF, a tributação sobre juros sobre capital próprio, o fim de benefícios ao setor de eventos e a cobrança de impostos sobre apostas esportivas.
“O aquecimento da atividade econômica amplia a base de arrecadação”, afirmou Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP. “Ao mesmo tempo, a inflação pressiona os preços de bens e serviços e, como grande parte dos impostos incide sobre os preços, a arrecadação acompanha esse movimento.”
Além dos impostos: avanço das despesas públicas pressiona cenário fiscal do Brasil
Apesar do recorde de arrecadação, a entidade avalia que o cenário fiscal continua pressionado pelo avanço das despesas públicas. De acordo com a plataforma Gasto Brasil, os gastos não financeiros do setor público já se aproximam de R$ 2,7 trilhões em 2026.
Para o presidente da ACSP, Alfredo Cotait Neto, o principal desafio permanece sendo o ritmo de crescimento das despesas públicas.