O governador de Santa Catarina (SC), Jorginho Mello (PL), vai representar contra o presidente Lula na Procuradoria-Geral da República (PGR).
Ele acusa o petista de xenofobia contra os catarinenses. A iniciativa foi motivada por declarações de Lula durante um discurso em Itajaí (SC).
A controvérsia teve origem quando o presidente criticou a tentativa do governo catarinense de extinguir as cotas raciais nas universidades estaduais, medida posteriormente considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante o discurso, Lula afirmou que Santa Catarina não poderia permitir que o racismo prevalecesse. Ele também fez referência à ideia de “hegemonia branca”, citando Adolf Hitler ao condenar qualquer forma de superioridade racial.
Segundo o governador, uma coisa é o presidente discordar de decisões do governo estadual; outra, é associar os catarinenses ao racismo e à ideia de superioridade racial.
Na avaliação de Mello, esse tipo de declaração configura preconceito contra a população de Santa Catarina, que justificaria a representação à PGR.
Como argumento, o governo catarinense se coloca como o Estado brasileiro que mais recebeu migrantes de outras unidades da federação na última década: mais de 500 mil novos moradores. Segundo ele, esse fluxo demonstra a hospitalidade e contraria a imagem de intolerância transmitida pelo discurso presidencial.
Xenofobia consiste no preconceito, hostilidade ou discriminação contra pessoas em razão de sua origem, nacionalidade ou procedência geográfica. Embora associado à discriminação contra estrangeiros, o termo também caracteriza preconceito contra pessoas de outras regiões de um mesmo país.